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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Adolescência, Behaviorismo Radical e a Terra do Nunca



É comum que psicólogos cognitivos digam que desenvolvemos conceitos em nossa mente; a psicanálise clássica afirmou que o adolescente se individualiza devido a mudanças no aparelho psíquico decorrentes de passagens de uma fase a outra (p. ex., da fase fálica a fase genital). Afirma-se isso como se a mente criasse novas ideias espontaneamente e o sujeito passasse a se comportar de forma diferente a partir dessas mudanças espontâneas.
O papel do ambiente é geralmente relevado, porém não lhe é atribuido o devido crédito.

Evidentemente, o processo maturacional desempenha certo papel nas mudanças comportamentais do adolescente, porém se avaliarmos as contingências ambientais as quais o jovem esta exposto, torna-se mais fácil compreender as inúmeras mudanças decorrentes da fase.
Em primeiro lugar, esta é uma fase altamente diferenciada não só por fatores maturacionais, mas por fatores sociais relacionados a ela. Esses fatores consistem na maneira como os indivíduos de uma dada sociedade e de um dado grupo respondem (comportam-se) em relação ao adolescente e suas mudanças.
É fato notório que em diversos grupos humanos (algumas tribos indigenas) a adolescência tal como a conhecemos inexiste.
As pessoas mudam seu comportamento de acordo com as propriedades de estímulos daquilo que constitui um "adolescente". De repente aquela que até então era uma menininha passa a ser tratada diferente por diversos homens, pois agora tem seios; do mesmo modo, algumas pessoas do convívio da menina ainda a tratarão como uma criança, devido a suas características físicas e comportamentais ambíguas. Os adultos também poderão ser permissivos com o adolescente devido a fase em que se encontra ou exigir-lhe certos comportamentos (p. ex.: "você já é quase um adulto").

Refletindo sobre essas questões, cheguei a conclusão de que a Terra do Nunca, lar do famoso personagem Peter Pan, é um mundo em que o ambiente é radicalmente diferente daquele em que vivemos. Nele, as normas e comportamentos são estabelecidas por outras contingências.
Imagine um mundo em que desde cedo as crianças não tivessem a supervisão de um adulto, ou que não precisassemos ter frequentado a escola, etc. Será que seria um mundo ao estilo "Terra do Nunca". Isso dependeria obviamente de inúmeros fatores ambientais, como acesso a alimento, abrigo, idade e estrutura física de cada criança a formar a nova "sociedade". Mas gosto de pensar que as crianças ficariam mais parecidas com isso:




Hehehehe ...

Essas são as crianças do filme "O senhor das moscas", que conta a estória de um grupo de crianças que fica presa em uma ilha deserta após uma cidente de avisão, e o melhor de tudo, sem a supervisão dos adultos. Bem, ao menos isso é o que qualquer criança poderia pensar inicialmente. Para sobreviver elas precisaram de regras e, para isso, partiram daquilo que conheciam em sociedade (votação, exército, politica, religião, etc.). O resultado é claro (até por ser um filme) é o mais sombrio possível: todas os horrores vividos na sociedade dos adultos se repete com o grupo de crianças, gerando-se comportamentos de corrupção, religião, jogos de poder, e por ai vai...
O que as crianças seriam, dependeria de inúmeras variáveis as quais estivessem submetidas e a história prévia de condicionamento de cada uma. Mas essa reflexão serve simplesmente para mostrar que o ambiente desempenha um papel fundamental naquilo que fazemos.

As crianças em nossa sociedade se comportam como o fazem porque foram determinadas a isso. Até certa idade as crianças costumam brincar muito no chão. Uma possibilidade é que elas deixam esses comportamentos de lado na medida em que diversos reforçadores sociais e disposição fisica dos objetos (tais como móveis) são adaptados para a altura do adulto. ´Conforme a criança fica maior com a idade, ela continuar brincando se arrastando no chão será mais dificil, pois o ambiente fisico não esta mais adaptado a sua altura. Desconforto fisico já seria um bom exemplo de estímulo punitivo que reduziria a probabilidade de ocorrência de certos comportamentos (punição) e a retirada desses estímulos aumentaria a probabilidade de ocorrência de outros comportamentos em seu lugar (reforço negativo).

Em resumo, as crianças tornam-se adultas não só por fatores maturacionais, mas porque seu corpo não é mais reforçado ou punido pelas propriedades de diversos estímulos e por que os adultos são os principais responsáveis pela disposição das contingências que as afetam. Os adultos as definem não só porque detém o monopólio de diversos reforçadores infantis, mas também porque o monopólio da punição; e todos sabemos que as crianças não encontram defesa contra alguém absolutamente mais forte.

Refleti também as razões pelas quais é mais fácil exercer controle sobre as pessoas em um discurso quando o orador se encontra em posição elevada a seu público (ex: o politico falando no palanque). É possível que isso em parte ocorra porque em nossa história pregressa, os adultos exerciam grande poder sobre nós, e eles é claro, são mais altos.

Para quem quer uma fonte de inspiração para estudar a teoria comportamental, assistam aos filmes...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Atuação e personalidade


Leia e reflita.





Digamos
que você participe de um grupo de teatro. Você e seu grupo decidem fazer uma brincadeira, que consiste em durante o período de uma semana interpretar uma personagem no seu dia-a-dia para ver as reações das pessoas às personagens criadas, bem como treinar suas capacidades de atuação, afinal, não haveria treino melhor do que na própria realidade, enganando as pessoas no dia-a-dia. A interpretação tem ínicio, e vai muito bem, a cada dia você adquiri cada vez mais facilidade para agir como o personagem fazendo-o de forma cada vez mais automática, sem ser tanto você mesmo ao ter alguma falha na atuação. No terceiro dia de atuação, você, ou talvez seja melhor dizer, o personagem que você interpreta, conhece uma menina enquanto anda de ônibus e acaba por gostar realmente dela e ela de você. Vocês trocam números de telefone e passam a se encontrar ao longo da semana. Porém, você fica inseguro de perder sua afeição ao admitir que aquele que ela conheceu é na verdade uma personagem, uma interpretação sua, e que na realidade sua verdadeira personalidade, gostos, e maneirismos são no entanto significativamente diferentes, seu temor no entanto não reside na mentira, mas sente-se angustiado pois sabe que ela se apaixonou por um personagem e não por aquilo que você costuma ser. Você termina por seguir com a farsa. Um tempo depois ela acaba por descobrir, por meio de um amigo que você mentiu o tempo todo e termina com você, você tenta convencê-la a voltar atrás e revela-lhe sua personalidade verdadeira, porém ela não só não sente qualquer atração por ela, como também não estaria de qualquer forma disposta a perdoá-lo pelo que você fez.

- As questões que quero tratar com essa estórinha inventada são:

. Seria o personagem que você interpretou durante todo esse tempo e que ganhou o amor da menina, você?

. Por que a menina se irritaria também com a questão da mentira?

. Pressupomos que aquilo que você interpretou seja de certa forma você, ao menos você utilizou de conhecimentos que dispunha para promover tal atuação, então não seria por você que a menina se apaixonou?

. Há grande diferença entre aquilo que você é e aquilo que você conhece, sabe e usa para promover uma interpretação?

. E se o personagem for interpretado durante tanto tempo que chegue a se tornar um comportamento praticamente automático, uma vez que é executado inumeras vezes, então passaria a ser "natural" do sujeito?
Conclusão:

Obviamente o proposto experimento mental não apresenta uma resposta única e totalmente objetiva, porém serve para exercitar o raciocinio e nos mostrar certas verdades a que estamos habituados e que muitas vezes negamos ou nos passam simplesmente desapercebidas.
Não é verdade que nós no nosso dia-a-dia interpretamos papéis? Fingimos ser educados quando não temos vontade por que isso nos é incentivado, quando não obviamente imposto sobre nós e que ocorre devido à diversas normas sociais...O marido por exemplo diz para a esposa que a calça Jeans que ela usa cabe-lhe perfeitamente no corpo, enquanto na verdade ela esta acima do peso ou dizemos que a comida da sogra esta saborosa quando de fato não sentimos que esteja. Com o caso da atuação é diferente, mas não tanto quanto imaginamos, de fato se observarmos perceberemos o quão artificiais seriam muitos de nossos comportamentos, sendo que por mais estranho que seja é muito do que nos define como seres humanos. Quantas vezes não executamos ações que a príncipio não nos eram naturais, e nem consideradas comuns e com o tempo depois de certo treino tornaram-se automáticas e tomadas por nós como verdades. Já vi muitas crianças se questionarem quanto a certas crenças ou sentido de certos acontecimentos, como por exemplo, a existência de Deus, por que as crianças não devem fumar sendo que muitas vezes seus próprios pais fumam, ou por que tem que ir pra escola desde pequenas. Geralmente elas receberam uma brilhante resposta de seus pais que serve para responder à todas as questões: "Porque sim". Será mesmo que isso é uma boa resposta? O que eu sei é que de fato evita ser encomodado e dá um fim na conversa!
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