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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Adolescência, Behaviorismo Radical e a Terra do Nunca



É comum que psicólogos cognitivos digam que desenvolvemos conceitos em nossa mente; a psicanálise clássica afirmou que o adolescente se individualiza devido a mudanças no aparelho psíquico decorrentes de passagens de uma fase a outra (p. ex., da fase fálica a fase genital). Afirma-se isso como se a mente criasse novas ideias espontaneamente e o sujeito passasse a se comportar de forma diferente a partir dessas mudanças espontâneas.
O papel do ambiente é geralmente relevado, porém não lhe é atribuido o devido crédito.

Evidentemente, o processo maturacional desempenha certo papel nas mudanças comportamentais do adolescente, porém se avaliarmos as contingências ambientais as quais o jovem esta exposto, torna-se mais fácil compreender as inúmeras mudanças decorrentes da fase.
Em primeiro lugar, esta é uma fase altamente diferenciada não só por fatores maturacionais, mas por fatores sociais relacionados a ela. Esses fatores consistem na maneira como os indivíduos de uma dada sociedade e de um dado grupo respondem (comportam-se) em relação ao adolescente e suas mudanças.
É fato notório que em diversos grupos humanos (algumas tribos indigenas) a adolescência tal como a conhecemos inexiste.
As pessoas mudam seu comportamento de acordo com as propriedades de estímulos daquilo que constitui um "adolescente". De repente aquela que até então era uma menininha passa a ser tratada diferente por diversos homens, pois agora tem seios; do mesmo modo, algumas pessoas do convívio da menina ainda a tratarão como uma criança, devido a suas características físicas e comportamentais ambíguas. Os adultos também poderão ser permissivos com o adolescente devido a fase em que se encontra ou exigir-lhe certos comportamentos (p. ex.: "você já é quase um adulto").

Refletindo sobre essas questões, cheguei a conclusão de que a Terra do Nunca, lar do famoso personagem Peter Pan, é um mundo em que o ambiente é radicalmente diferente daquele em que vivemos. Nele, as normas e comportamentos são estabelecidas por outras contingências.
Imagine um mundo em que desde cedo as crianças não tivessem a supervisão de um adulto, ou que não precisassemos ter frequentado a escola, etc. Será que seria um mundo ao estilo "Terra do Nunca". Isso dependeria obviamente de inúmeros fatores ambientais, como acesso a alimento, abrigo, idade e estrutura física de cada criança a formar a nova "sociedade". Mas gosto de pensar que as crianças ficariam mais parecidas com isso:




Hehehehe ...

Essas são as crianças do filme "O senhor das moscas", que conta a estória de um grupo de crianças que fica presa em uma ilha deserta após uma cidente de avisão, e o melhor de tudo, sem a supervisão dos adultos. Bem, ao menos isso é o que qualquer criança poderia pensar inicialmente. Para sobreviver elas precisaram de regras e, para isso, partiram daquilo que conheciam em sociedade (votação, exército, politica, religião, etc.). O resultado é claro (até por ser um filme) é o mais sombrio possível: todas os horrores vividos na sociedade dos adultos se repete com o grupo de crianças, gerando-se comportamentos de corrupção, religião, jogos de poder, e por ai vai...
O que as crianças seriam, dependeria de inúmeras variáveis as quais estivessem submetidas e a história prévia de condicionamento de cada uma. Mas essa reflexão serve simplesmente para mostrar que o ambiente desempenha um papel fundamental naquilo que fazemos.

As crianças em nossa sociedade se comportam como o fazem porque foram determinadas a isso. Até certa idade as crianças costumam brincar muito no chão. Uma possibilidade é que elas deixam esses comportamentos de lado na medida em que diversos reforçadores sociais e disposição fisica dos objetos (tais como móveis) são adaptados para a altura do adulto. ´Conforme a criança fica maior com a idade, ela continuar brincando se arrastando no chão será mais dificil, pois o ambiente fisico não esta mais adaptado a sua altura. Desconforto fisico já seria um bom exemplo de estímulo punitivo que reduziria a probabilidade de ocorrência de certos comportamentos (punição) e a retirada desses estímulos aumentaria a probabilidade de ocorrência de outros comportamentos em seu lugar (reforço negativo).

Em resumo, as crianças tornam-se adultas não só por fatores maturacionais, mas porque seu corpo não é mais reforçado ou punido pelas propriedades de diversos estímulos e por que os adultos são os principais responsáveis pela disposição das contingências que as afetam. Os adultos as definem não só porque detém o monopólio de diversos reforçadores infantis, mas também porque o monopólio da punição; e todos sabemos que as crianças não encontram defesa contra alguém absolutamente mais forte.

Refleti também as razões pelas quais é mais fácil exercer controle sobre as pessoas em um discurso quando o orador se encontra em posição elevada a seu público (ex: o politico falando no palanque). É possível que isso em parte ocorra porque em nossa história pregressa, os adultos exerciam grande poder sobre nós, e eles é claro, são mais altos.

Para quem quer uma fonte de inspiração para estudar a teoria comportamental, assistam aos filmes...

Visão condicionada: vendo o que os outros não vêem



Nós podemos ver um estímulo X não apenas quando X está presente, mas quando qualquer estímulo que frequentemente o acompanha estiver presente. A sineta utilizada por Pavlov no estudo de reflexos condicionais nos servirá de exemplo. Se a sineta tivesse sido pareada com a apresentação de alimento, poderiamos enxergá-lo "mentalmente" com o tocar da sineta, mesmo que o alimento não nos fosse apresentado depois. Sucessivas apresentações do sino sem o alimento extinguiriam as respostas de salivar e enxergar. Os eventos ditos "mentais" por si próprios não são a causa do comportamentos, e na teoria Behaviorista Radical, eles próprios constituirão um comportamento, cuja diferença dos demais esta no fato de só serem acessíveis ao sujeito que se comporta (eventos privados/comportamentos encobertos).
Vemos os objetos familiares mais rápida e facilmente do que os não-familiares. Durante um jogo de cartas seria mais provável que uma pessoa se engane em ter visto visto um ás de ouros ou de copas se tiver visto algo vermelho antes. O mesmo ocorre para o estímulo verbal "copas", que poderá evocar a visão do vermelho.
Experimentalmente pode-se mostrar um coração impresso em preto para uma pessoa familiarizada com baralhos por um curto período de tempo; por vezes ele será visto como vermelho ou como uma mistura de preto e vermelho (algo como púrpura). Com a exposição da carta por um maior período de tempo o estímulo presente suplanta a resposta condicionada de ver vermelho, ao passo que uma breve apresentação leva a "fusão" das respostas condicionadas e incondicionadas.
Respostas visuais são extremamente importantes em nossa vida, o que explica a grande quantidade de respostas condicionais desse tipo.

Explicação funcional para as "falhas" de percepção

A visão condicionada ajuda-nos a entender porque temos a tendência a ver o mundo de acordo com nossa história.
As teorias da percepção tratam da maneira como enxergamos círculos completos em "círculos" em que esta faltando um pequeno segmento. Entretando, ver um círculo incompleto não seria impossível para um sujeito que trabalhasse diariamente em uma manifatura de certos tipos de anéis de pistão. O mesmo exemplo serve para diversas das "ilusões de ótica" (vejam algumas: 1, 2, 3).

Análise funcional e sinestesia

Alguns sinestetas vêem números coloridos. Algo do tipo poderia ocorrer se uma criança aprendesse a responder a números em um livro no qual a forma geométrica poderia levar a resposta condicionada de ver a cor correspondente. Ao falar 7, a criança seria levada a duas respostas condicionadas, ver a forma 7 e ver a cor associada.

Os três elos da análise funcional do comportamento


As pessoas no geral partem do princípio de que a mente é a causa dos comportamentos. Por exemplo: "bebo porque tenho sede"; "brigo porque sinto raiva", etc. Alguns dirão que o sistema nervoso é o responsável pelo comportamento do indivíduo ou ainda que a própria psique atua misteriosamente sobre esse sistema.

No exemplo "bebo porque tenho sede" percebe-se um encadeamente causal composto por três elos:

(1) uma operação efetuada de fora sobre o organismo (ex: privação de água);

(2) uma condição interna (ex: sede fisiológica ou psíquica);

(3) um certo comportamento (ex: o beber).

1 --> 2 --> 3

Se tivessemos dados a cerca do segundo elo, preveriamos o terceiro sem passar pelo primeiro. O segundo elo é uma condição presente, diferente do primeiro elo, e é comumente chamado nas ciências cognitivas de "caixa preta", uma vez que não se teria acesso direto a seu conteúdo.
No geral inferiremos o segundo elo do terceiro, como ao dizer que um animal tem fome porque esta comendo. Será quase sempre impossível obter informações diretas sobre o segundo elo.
Não dispomos de meios efetivos de alterar os processos neurais nos momendos adequados da vida do organismo. Se eu quiser fazer um organismo comer, é mais simples privá-lo de alimento. Do mesmo modo, dizer que um organismo "sofre de ansiedade" nos levará a procurar as causas ambientais responsáveis pelos comportamentos tipicamente definidos como "ansiosos" (seria pelas variáveis implicadas na perda do emprego, briga com o namorado?...)

Para B. F. Skinner, a objeção das causas internas não é a de que não existem, mas a de que não são úteis para uma análise funcional. Enquanto houver encadeamento causal de modo que o segundo elo não seja ordenadamente determinado pelo primeiro ou o terceiro pelo segundo, o primeiro e o terceiro devem ser ordenadamente relacionados.


Referências

SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Estímulos discriminativos, generalização e uma bola vermelha.




Ué, mas você não havia dito "vermelha"?


De acordo com B. F. Skinner, a extensão do efeito de um estímulo a outros estímulos denomina-se indução ou generalização. A efetividade de uma única propriedade de um estímulo revela-se quando não nos sentimos bem na presença de um estranho, pois se parece com um conhecido de quem não gostavamos. Isso não necessariamente dependerá se percebemos ou não o fato. Compreendido isso, as "intuições" ou "impressões" que temos a cerca de algumas pessoas recém conhecidos podem não parecer mais algo tão sobrenatural.
Em um experimento comportamental, um pesquisador dava comida a um pombo toda vez que ele bicasse um círculo vermelho. O alimento é um estímulo reforçador, pois aumenta a probabilidade do comportamento de bicar o círculo. Após a resposta estar ocorrendo com certa frequência, o pesquisador mudou a cor do círculo vermelho pelo laranja, e o pombo continuou a bicar o círculo, ainda que a quantidade de respostas tivesse diminuido.
Muitos podem dizer que esse comportamento não deveria ocorrer com a mudança de cor, mas o fato é que algumas das propriedades de estímulo responsáveis pela emissão do comportamento de bicar permanecem presentes (p. ex., o tamanho do círculo e seu posicionamento na câmara experimental).
Ta certo, é tudo muito bonitinho e muito legal, mas o que diabos isso tem a ver com a bola "VERMELHA"???


Ok! Vamos lá então...


É comum vermos uma criança correr atrás de uma bola verde e emitir respostas verbais como: "Olhem que bonita a minha bola vermelha!". Isso pode ocorrer simplesmente porque anteriormente a criança foi reforçada por seus pais ao emitir a reposta verbal "vermelho" em relação a uma bola que era realmente vermelha. Como sua nova bola verde possui diversas propriedades comuns a sua outra bola (tamanho, forma, etc.), e que ainda não foram selecionadas por estímulos discriminativos e reforço diferencial, é normal que a criança emita essa resposta verbal. Quando tais procedimentos forem aplicados, a criança passará a responder adequadamente ao estímulo "vermelho".
Podemos também reforçar a criança por todos os comportamentos relacionados ao estímulo vermelho (reforço diferencial de um estímulo discriminativo: o vermelho) sem reforçar os comportamentos relacionados as outras propriedades físicas da bola (isso provocará extinção, ou seja, o término dos comportamentos relacionados a tais propriedades). Desse modo teremos uma abstração, isto é, a criança agora pode dizer "vermelho" sem vinculação a outras propriedades de estímulo.
O curioso é que muitos poderiam dizer que a criança teve uma falha no processamente de informação frente ao estímulo "vermelho". Entretanto, uma análise funcional nos revela que o ambiente selecionou o comportamento sem que precisassemos atribuir um papel causal a "cognição".

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Comportamento Social no Behaviorismo Radical


O presente post trata de um resumo do Capítulo XIX (Comportamento social) do Livro Ciência e Comportamento Humano de B. F. Skinner.

Comportamento social

De acordo com B. F. Skinner o comportamento social constitui-se do comportamento de duas ou mais pessoas em relação a uma outra ou em relação ao ambiente comum. Os métodos das ciências naturais seriam capazes de explicar o comportamento social do indivíduo, uma vez que o comportamento por si só é sempre de um único organismo e ocorre por meio dos mesmos processos utilizados em uma situação não-social. Sendo assim, explicar o comportamento de pessoas em grupos não requer novas terminologias ou a pressuposição de novos processos ou princípios. Buscar uma teoria simples e objetiva é o caminho mais adequado no desenvolvimento científico e no caso da teoria comportamental, é possível, com poucos pressupostos, explicar a vasta gama de comportamentos humanos.

O ambiente social

Um organismo é relevante para outro, fazendo parte de seu ambiente. O comportamento social é mais extenso e flexível do que o comportamento individual reforçado por outros estímulos ambientais, pois o reforço social costuma abranger inúmeras variáveis, dependendo também da condição do agente reforçador. Um ser humano reforça outro de sua espécie, entretanto, os reforçadores que o sujeito A pode aplicar em uma dada ocasião em um sujeito B para fortalecer uma determinada resposta, podem variar em outra situação, na medida que o organismo que reforça também muda seu repertório comportamental de acordo com o estado de seu próprio organismo (o mundo sob a pele) e por estímulos punitivos e reforçadores que tenha recebido em suas outras interações sociais e com o ambiente em geral. Isso torna o repertório comportamental muito abrangente e extremamente passível de mudanças.
Pode-se dizer que os esquemas de reforço são particularmente relevantes no processo de interação social, pois a maioria dos comportamentos é estabelecido por reforços intermitentes. No comportamento de “chateação”, por exemplo, a pessoa é reforçada algumas vezes e não é punida por seu comportamento, até que ele se estabeleça de maneira variável. Quando esse comportamento ocorre em dada situação e não recebe mais o reforço apropriado, o que se pode observar é a emissão continua da resposta. Portanto, duas solicitações de respostas podem se transformar em seis ou mais, de maneira insistente. Diante da obtenção de sucesso em obter o reforço, o sujeito reforçado alcança um número cada vez maior de tentativas para obter o reforçador na medida que este funcionou anteriormente.
Quando um sujeito reforçador se torna difícil de contentar, o reforço fica contingente a um comportamento mais amplo ou altamente diferenciado. Um exemplo seria o do gerente de uma fábrica de peças automotivas que reforça o funcionário com um leve aumento de salário quando este aumenta a produção. O gerente é também reforçado pelo aumento na produção, exigindo assim, uma maior produtividade do funcionário que, consequentemente será levemente reforçado por bonificação, e assim sucessivamente. Este processo de reforço mútuo ocorre na maior parte das interações sociais.

O estímulo social

As outras pessoas fazem parte de um ambiente material constituindo-se do mesmo modo em estímulos. Na medida em que algumas propriedades desses estímulos são difíceis de serem descritos em termos físicos, é fácil supor que sejam um processo de intuição.
O sorriso, por exemplo, ultrapassa a capacidade de investigação do cientista, uma vez que há diversas formas de sorriso que ocorrem em diferentes situações. O sorriso, portanto, não é como uma forma geométrica, a qual pode-se estabelecer um critério preciso de descrição e avaliação. Essa forma de expressão facial pode ser, tanto “amigável” como “agressiva”, determinado pela cultura e história particular do indivíduo, e por suas consequências sociais.

O episódio social

Dois indivíduos em uma dada sociedade podem servir de estímulo um ao outro. O mesmo também ocorre com outros organismos. No comportamento de caça de um predador e de fuga de uma presa, uma redução na distância entre o predador e a presa é positivamente reforçadora para o predador e negativamente reforçadora para a presa; já um aumento na distância é negativamente reforçador para o predador e positivamente reforçador para a presa. O mesmo ocorre com os reforçadores verbais entre dois sujeitos que conversam, como quando um indivíduo se aproxima de um tópico delicado para o outro sujeito da conversa. Os estímulos verbais podem ter propriedades reforçadoras ou aversivas.
Dois indivíduos podem regular seu comportamento, um em relação ao outro na medida em que um estabelece seu papel como líder. Um exemplo seria na brincadeira do cabo de guerra, no qual um indivíduo estabelece um padrão rítmico para puxar a corda e o segundo regula seu comportamento com base no comportamento do primeiro. O primeiro consequentemente responderá apropriadamente a ação do segundo e assim sucessivamente, gerando-se assim uma ação conjunta. O mesmo tipo de interação pode ser observada em diversos comportamentos, como em uma dança. Uma vez que o líder também depende dos liderados, pode-se dizer que o líder também é controlado por eles.

Episódios verbais
Diz-se frequentemente que uma pessoa tem um efeito sobre outra além do limite das ciências físicas. Muitos desses exemplos são abrangidos pelo comportamento verbal. Uma análise mais aprofundada, no entanto, demonstra que esse efeito é passível de análise dos métodos científicos. Os sons representam vibrações de intensidade variada no ar e as estruturas vocais responsáveis por sua emissão fazem parte de uma esturura biológica do próprio organismo. Com as estruturas auditivas responsáveis pelo processo inicial de recepção dos sons ocorre o mesmo, sendo estes traduzidos em uma linguagem (informação) assimilada pelo sistema nervoso central. Para todos os efeitos esses eventos físico-químicos fazem parte do organismo e não constituem fenômenos ditos “mentais” no sentido de serem eventos imateriais e incapazes de serem compreendidos.
As palavras supostamente expressam ideias ou significados, porém é possível realizar uma análise típica das ciências naturais. O comportamento verbal que um indivíduo executa em relação a outro, como o pedir um cigarro ou pedir um copo d'água, não surte efeito em um ambiente puramente mecânico, mas foi condicionado por uma comunidade verbal, ainda que intermitentemente. O sujeito em algum ponto de sua história gerou uma discriminiação, de modo que a resposta não é emitida na ausência de um membro da comunidade. Discriminações mais sutis que tenham se constituído aumentam a probabilidade de responder na presença de determinadas pessoas.
Pode ocorrer que um sujeito B reforce a resposta no sujeito A ou assemelhe-se a alguém que o fez. Um exemplo, seria a criança que esta jogando futebol com os amigos e, com sede, decide bater na casa de uma mulher idosa pedindo um copo dágua. Nesse caso, o comportamento pode ocorrer devido ao sucesso na aquisição do copo d'água com outros mulheres idosas. Do mesmo modo, uma condição de privação, aumenta a probabilidade de emissão de um dado comportamento, tal como no exemplo supracitado (sede ou privação de água).
Pode-se também parear um estímulo aversivo a um determinado evento ou sequência de eventos. Por exemplo, o caso de um sujeito (A) que sempre caminha por um bairro perigoso e é frequentemente abordado por um sujeito (B) que lhe pede um cigarro. Suponha-se que, o sujeito B lhe peça um cigarro e o sujeito A não o dê. Seguido a isso, o sujeito B torna-se agressivo. Nesse caso um estímulo aversivo condicionado, fará com que o sujeito A só possa escapar concordando em um pedido futuro de cigarros por parte do sujeito B. Nessa situação hipotética, um “obrigado” do sujeito B após a obtenção do cigarro e seu respectivo afastamento sem apresentar qualquer estímulo aversivo em relação ao sujeito A, indicará uma redução na ameaça.

Interação instável

Diversos sistema sociais mostram uma mudança progressiva. Estímulos verbais, por exemplo, só costumam ser eficientes quando combinados com o comportamento de outros membros do grupo. Isso é comum em avisos de “Silêncio” ao entrar em uma biblioteca, se diversos sujeitos que já estão lá estiverem falando normalmente, o aviso teria pouco efeito. Se os indivíduos estivessem falando em voz baixa, a probabilidade daqueles que recém entraram de falar em voz baixa seria maior. Entretanto, bastaria alguns poucos indivíduos que estão sob menor grau de controle do aviso começarem a falar normalmente e a probabilidade de que o mesmo ocorra com os outros membros do grupo se elevará.
A interações mudam de momento a momento, na medida que uma resposta altera levemente a outra. Tal instabilidade pode ser percebida quando dois indivíduos se empenham em uma conversa casual que culmina em uma discussão repleta de insultos, podendo chegar ao nível da violência física.

Variáveis de suporte no episódio social

Geralmente as pessoas sempre tem algo a oferecer umas as outras, reforçando-se mutuamente. É assim que as relações se mantém.
É possível que o grupo realize a manipulação de variáveis específicas a fim de gerar tendências de comportamento que resultem no reforço de outros. O grupo pode reforçar um indivíduo por ajudar aos demais, por ser sincero e por retribuir favores; em determinadas situações e contextos, porém, ele pode reforçar comportamentos criminosos e egoístas.
Pode-se exemplificar a competição entre dois amigos. Quando o comportamento de um pode ser reforçado apenas à custa do comportamento do outro. Um comportamento de cooperação, no qual o reforço de um ou mais indivíduos depende do comportamento de ambos ou de todos, não se opõe a competição, requerindo um sistema intercruzado.
Os sistema interrelacional pode, porém, entrar em colapso. Isso é demonstrado quando um indivíduo que não é adequadamente controlado pela cultura adquire vantagem pessoal temporária por meio da exploração do sistema, gerando mentira, não retribuição de favores, quebra de compromissos, etc. Os sujeitos lesados após algum tempo deixam de ser responsivos a determinados estímulos que lhe são apresentados, gerando assim o colapso no sistema.

O grupo como uma unidade que se comporta

É sempre um único indivíduo que se comporta, ainda que possa se comportar junto a outros. Sendo assim, o entendimento do comportamento não exige qualquer método científico de origem diferente dos métodos de uma ciência natural.
É possível avaliar o que leva um jovem a se juntar a uma turma, bem como o que leva um homem a agredir alguém, bastando análisar as variáveis geradas pelos grupos que reforçam determinados tipos de comportamento, tais como a reunião e conformação.
As consequências reforçadoras produzidas pelo grupo excedem com facilidade as consequências que poderiam ser obtidas pelos membros que agissem separadamente. Comportar-se como outras pessoas se comportam tende a ter grande probabilidade de ser reforçado, do mesmo modo que olhar para uma vitrine em que todos estão olhando teria maior probabilidade de ser reforçador do que olhar para uma que não atraiu ninguém. Esse tipo de situação produz uma tendência a se comportar como os outros o fazem.

A Ciência segundo B. F. Skinner

O objetivo da ciência não é somente compreender, mas também exercer controle sobre seu objeto de estudo e os eventos estreitamente relacionados. Ela é mais do que a mera descrição dos acontecimentos à medida que ocorrem. É uma tentativa de mostrar que certos acontecimentos estão ordenadamente relacionados com outros.
Para aplicar os métodos da ciência aos assuntos humanos é preciso pressupor que o comportamento é ordenado e determinado. Esta é, de fato, uma possibilidade que desagrada a muitas pessoas por se opor a uma tradição de longo tempo, que encara o homem como um agente livre, cujo comportamento é fruto de de mudanças interiores espontâneas, ao invés da condições antecedentes específicas.
Diferente de outras formas de conhecimento, na ciência é mais comum que os cientistas rejeitem suas próprias autoridades quando interferem com a observação da natureza, de modo a aceitar os fatos mesmo quando eles se opõe a seus desejos.
O comportamento como uma matéria científica é difícil, não porque seja inacessível, mas porque é extremamente complexo. Desde que é um processo, e não uma coisa, não pode ser facilmente imobilizado para observação. Como algo mutável e fugaz, faz grandes exigências técnicas de engenhosidade e energia do cientista.
Na física o príncipio da indeterminação diz que há circunstâncias sob as quais o físico não pode obter toda informação relevante, ou seja, optando por observar um evento não poderá observar outro. Certos eventos também parecem ser imprevisíveis no campo do comportamento humano. Entretando, isso não prova que esses eventos sejam livres ou asbitrários. Quando não somos capazes de avaliar processos complexos, não se segue que o comportamento humano seja livre, mas somente que pode estar além do atual alcande de uma ciência do comportamento.
É comum que se argumente que a razão não pode compreender a si mesma, como se o comportametno requerido para se entender o próprio comportamento deva ser alguma coisa além do comportamento que é compreendido. Apesar do conhecimento estar delimitado pelas limitações do próprio organismo que conhece, mas as leis e sistemas da ciência visam diminuir a relevância do conhecimento de eventos particulares. Ou seja, o homem não precisa conhecer todos os fatos de um dado campo, mas sim compreender todas as espécies de fatos.Não há razão para supor que o intelecto humano seja capaz de compreender e formular os príncipios básicos do comportamento. Apesar de cada indivíduo ser único, seu comportamento deve estar sujeito a príncipios gerais que define a singularidade de outros indivíduos.
Sobre os termos "causa" e "efeito", Skinner diz que:

[...] já não são usados em larga escala na ciência. [...] Os termos que os substituem, contudo, referem-se ao mesmo núcleo fatual. Uma 'causa vem a ser uma 'mudança em uma variável independente' e um 'efeito', uma 'mudança em uma variável dependente'. A antiga 'relação de causa e efeito' transforma-se em uma 'relação funcional'. Os novos termos não sugerem como uma causa produz o seu efeito, meramente afirmam que eventos diferentes tendem a ocorrer ao mesmo tempo, em uma certa ordem. [...] (Skinner, 2007, p. 24)
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