
As pessoas no geral partem do princípio de que a mente é a causa dos comportamentos. Por exemplo: "bebo porque tenho sede"; "brigo porque sinto raiva", etc. Alguns dirão que o sistema nervoso é o responsável pelo comportamento do indivíduo ou ainda que a própria psique atua misteriosamente sobre esse sistema.
No exemplo "bebo porque tenho sede" percebe-se um encadeamente causal composto por três elos:
(1) uma operação efetuada de fora sobre o organismo (ex: privação de água);
(2) uma condição interna (ex: sede fisiológica ou psíquica);
(3) um certo comportamento (ex: o beber).
1 --> 2 --> 3
Se tivessemos dados a cerca do segundo elo, preveriamos o terceiro sem passar pelo primeiro. O segundo elo é uma condição presente, diferente do primeiro elo, e é comumente chamado nas ciências cognitivas de "caixa preta", uma vez que não se teria acesso direto a seu conteúdo.
No geral inferiremos o segundo elo do terceiro, como ao dizer que um animal tem fome porque esta comendo. Será quase sempre impossível obter informações diretas sobre o segundo elo.
Não dispomos de meios efetivos de alterar os processos neurais nos momendos adequados da vida do organismo. Se eu quiser fazer um organismo comer, é mais simples privá-lo de alimento. Do mesmo modo, dizer que um organismo "sofre de ansiedade" nos levará a procurar as causas ambientais responsáveis pelos comportamentos tipicamente definidos como "ansiosos" (seria pelas variáveis implicadas na perda do emprego, briga com o namorado?...)
Para B. F. Skinner, a objeção das causas internas não é a de que não existem, mas a de que não são úteis para uma análise funcional. Enquanto houver encadeamento causal de modo que o segundo elo não seja ordenadamente determinado pelo primeiro ou o terceiro pelo segundo, o primeiro e o terceiro devem ser ordenadamente relacionados.
Referências
SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano.
Nenhum comentário:
Postar um comentário